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GODOFREDO RANGEL

está Vigilato. Vigilato despenha-se, num berro...

— Ah, senhor doutor, nem posso contar-lhe todas as peripecias dessa noite! Cahimos de muito alto — ficamos machucados, uma espingarda quebrou-se e as outras ficaram sob os escombros... E, tropeçando no escuro, aos tombos, afflictos, a olhar para traz, fugimos correndo quanto podiamos, quasi sem rumo, extraviados na escuridão da matta. Felizmente não fomos perseguidos. Então, recobrando alento, pudemos gemer as nossas contusões, e, accendendo pedaços de taquara e palha de pinheiro, conseguimos achar o caminho da fazenda.

E Prospero ria, da velha recordação. Siá Marciana, da cozinha, fez côro com elle. Eu ajudei-os. E, esperto na sua placa, revivendo tambem antiquissimas memorias, na illusão de um retrocesso aos bons tempos, o papagaio quebrou sua obstinada mudez, clamando em falsete estridente:

— Capitão Domiciano! Vigilato! Pae Thomaz!