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— Nunca ouviu urrar uma onça, dr. Felix? E՚ uma cousa bonita. E՚ um miado forte, mas um tanto engasgado, como o dos gatos em sanha. Quando ella urra, parece que tudo se confrange de medo e até a matta fica mais quieta.
No instante do uivo entreviu-se no barreiro um confuso debandar de fórmas antes invisiveis. Um trepidar secco vinha do estaladeiro do Vigilato. Elle tremia e os paus nos seus pés tremiam com elle.
— A bicha ahi vem — murmurou o capitão.
Passou-se um espaço de calada absoluta. No céo sem brisa immobilizaram-se as ramas das arvores, negras e como petrificadas. Apenas longe em longe um lufo manso corria um frêmito pelas franças sombrias. E aquillo prolongava-se, sem termo... "Má noite!" pensavam os caçadores.
Mas um segundo indicio, bem proximo, preveniu-os de algo sensacional. Ouviram um tac-tac caracteristico.
— E՚ pintada, avisou Prospero. Essa qualidade de onça tem o "sotaque"