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VIDA OCIOSA
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ra um rastro de pêlos cahidiços. Achei adoravel aquella sencerimonia e, ajuntando paciencia, resolvi commigo:

— "Vamos ver até onde chega o atrevimento". Fez-me massagem abdominal, coçou-se no meu cotovello, encostou a bigodeira pruinte no meu rosto, rouquejando surdas catarrheiras; fez menção de beijar-me, foçou-me no ouvido...

— "Vamos ver até onde vae!" trocadilhei, fulo de raiva. Foi a dez passos de distancia, pois sem chamar mais paciencia, appliquei-lhe um tabefe centrifugo: Siá Marciana não estava alli... Perto della é que eu tinha hypocrisias. Amimava o felino, tomava-o nas mãos, achava-o bonito e tudo o mais que agradasse á dona.

Escafedeu-se a gata aos pinchos e bufos pela janella do terreiro. Fez-me falta, porque então senti-me vazio. O vacuo pesava-me como chumbo.

— Quantas redes? perguntei.

— Quasi duas.

E eram dez, ao todo! Busquei alhear a attenção pensando em cousas