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GODOFREDO RANGEL

— Uma só, por emquanto...

Meu Deus, como era demorado! Aquella paciente tarefa ennervava-me, como se estivesse eu proprio a trabalhar. Penosissimo fardo é a ociosidade, algumas vezes!

No meu pouso não pude ainda cahir em beatitude. O tedio é um estado fecundo ás más suggestões. No meu cerebro o sr. Prospero trançava barbantes sem cessar e regyravam preguiçosas rondas de corvos. Cerrando os olhos eu via estrias e manchas verdes e escarlates, doloroso decalque impresso na retina pela offuscante visão das estradas e dos campos ensolados. Queria dispersar-me, devanear; puxei pontas de romances heroicos, cujo principal personagem era eu; mas o enredo apagava-se como um rio sem foz que se evapora no deserto e a dispersão concentrava-se no importuno vinco d՚aquellas impressões visuaes.

Uma cousa pulou na arca. Era a gata predilecta de siá Marciana, muito dada, esfregadeira, ronronante. Coçou as pulgas no meu pé, continuou a fricção perna acima, deixando na casemi-