Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/132

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
122
GODOFREDO RANGEL

de monoplanos, as asas ligeiramente arrebitadas na ponta. Arranquei-me á sua vista obsidente e relanceei o commodo. Nas prateleiras, meia duzia de mólhos de rapaduras, muitos feixinhos de canetas invendiveis, um litro de oleo de capivara, meia duzia de peixes fritos num prato esbeiçado e o garrafão de pinga. Um enxame de abelhas zumbia e rezumbia em torno das rapaduras, cujo cheiro enjoativo impregnava o ar. Em attitude correcta, o José copiava, em bella vertical, uma historieta do livro de leitura. Perto, Americo sorria enfiado, julgando-se sem perdão aos meus olhos pela sua grande ousadia de querer leccionar.

— Tambem ensina estas cousas? — perguntei-lhe, mostrando o caderno. — Suppuz que apenas transmittisse sciencia pura.

— O sr. sabe — desculpou-se elle — é preciso começar por essas ninharias. Não faz dois mezes que sahiu do abecedario...

— Aprendeu com você? — perguntei-lhe, admirado.

Fiz o negrinho ler, dictei algumas palavras, passei-lhe uma conta — era