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GODOFREDO RANGEL

terminação do almoço, para acabar de tirar a mesa.

Fóra a toalha, espalha-se o pessoal. A velha encafua-se na cozinha. Prospero vae buscar as redes necessitadas de reparos, e Americo, mais o empertigado negrinho, somem-se para o commodo de negocio. Na sala só fico eu, empachado, o coccix no rebordo da cadeira, a nuca apoiada no respaldo. Dahi a instantes faz-me o velho companhia, concertando uma primeira rede que estende sobre a larga mesa de oleo.

Prospero absorveu-se no trabalho, pelo qual, meio distrahido, eu me interessava. O novello de barbante não tinha descanso. Durante meia hora acompanhei-lhe os movimentos, calculando commigo: "Agora é um remendo aqui, um nó alli..." A՚s vezes errava em minhas conjecturas, o que me dava uma leve contrariedade. Incansavelmente meu espirito formulava previsões: "Para concertar aquella ponta, o velho terá fatalmente que passar para o outro lado da mesa..." Fatalmente enganava-me; ou virava elle o tecido, ou debruçava-se mais.