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Bocejos e guloseimas

 

Ainda desta vez o dia arrasta-se numa lentidão deliciosamente aborrecida. Vive-se mais, na fazenda do Corrego Fundo, que no resto do orbe. Invento mil modos de encher tempo e ainda ha sobra para uma semana de farniente. Maravilhas da vida rural! Por isso é que o fazendeiro que passou annos a tostar-se ao calor dum brasido, tem a voz indolente, frouxa e de um fanhoso monotono com um sabor a confidencias, que acalenta e entorpece. Por essa causa é que poupa os movimentos; para levantar-se não o põe alerta, de pé, a mola d՚uma energia que actua de prompto; esse movimento é um capitulo do seu dia: primeiro hesita, pesa e resolve, depois começa — estira os braços, num bocejo hiante e sem fim, descae sem forças, corcovado, sobre seus proprios quadris, recomeça o bocejo e o espreguiçar, com a mão tenteia um apoio, me-