Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/120
"E՚ impossivel! não posso, meu tempo está contado, só tenho prazo para vir ver-te de passagem e muito depressa. Posso apenas conceder-te uma visitinha de instantes, para matar a tua e a minha saudade. Não me detenhas! Tenho muito que fazer..." E, acabando de atravessar obliquamente a mesa, quebrava a quina e desapparecia. Um dia... ella não veio mais. Fiquei imprestavel, tive que depor a penna. Enchiam-me tristes apprehensões. Que seria feito de minha formiga doceira? Aborreceu-se de mim? Esqueceu-me? Afogou-se numa gota de orvalho? Um passo brutal esmagou-a inconsciente? Eu sentia infinitos receios. Esperei-a uma noite, muitas noites. Nada! Nunca mais voltou...
Todos escutaram sorrindo minha historia. Quando terminei, siá Marciana exclamou:
— Que graça, a da comparação! Vou agora mudar seu nome — d՚hoje em deante é o dr. Formiguinha.
Riu-se alto e foi para a cozinha com a arregaçada de vagens e xuxús.