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mos! Queres assucar? Reservar-te-ei toda a noite uma boa porção. Anda ao menos mais devagar! Repara que ha vinte e quatro horas não te vejo, e sem te ver tenho que passar outras tantas. Vê bem: um oasis de meio minuto entre dois desertos immensos! Vou com a mão interceptar-te a passagem; para seguires, terás que transpor o obstaculo, ou esperar que eu te deixe continuar teu atarefado destino. E՚ muito cedo! Não receies que te extranhem a falta, no formigueiro onde moras; são tantas as formiguinhas trabalhadeiras, e tão parecidas! Faze de conta que hoje foi tua excursão mais longa... Não me attendes, formiguinha ingrata? Então... até amanhã!" Não me attendia. Era uma pressa, um phrenesi de seguir... Não via a trilha de assucar com que eu lhe pulverizava o caminho; se a mão lh՚o cortava em barreira, não hesitava: subia por ella e descia do outro lado, deixando-me na pelle um tenue prurido, que era como uma caricia affectuosa. E não se detinha. Toda ella era uma pressa nervosa, um andar afflictivo, uma celeridade de pequeninos meneios, que pareciam dizer-me: