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VIDA OCIOSA
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as aves premiam-no num assalto terrivel, pulavam-lhe ás costas; outras, mais soffregas, bicavam-lhe a lingua, e enfiavam o bico pela guela abaixo, de esganadas. Manequinho definhava. Aquillo não era vida!

Nesse dia siá Marciana resolveu livral-o do supplicio ou matal-o. Foi breve a operação: uma tesouradinha no papo, tirar o pau, uns pontos, tudo no meio de um exaggerado bater de asas. Emquanto isso, ella animava-o. Ia ver como a vida lhe mudava! Todo o dia, quando chamasse para o milho, não viria elle desconsolado, sem enthusiasmo, fechando a comitiva, como se acompanhasse a um enterro; podia agora comer muito, quanto lhe appetecesse, até ficar com o papo tumefacto. Tivesse paciencia...

Um nó cego para rematar a costura e prompto. Acabou-se o estardalhaço de asas. E, como para demonstrar que a cesura não lhe diminuiria a voracidade do costume, Manequinho entupiu-se do milho, que a velha lhe serviu no côvo da mão. Em seguida soltou-o. Onde cahiu encorujou-se receoso. Mas as gallinhas começaram a avi-