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VIDA OCIOSA
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numbra de crepusculo em nave abandonada. Com a sua chegada ao Grande Hotel, fez-se alli, na sua paz morta e atmosphera de estupor, a vida que elle evitava. O tôco do sr. Almeida lá ficou a tostar-se nas brasas esquecidas; com a obrigação de dar prosa, não descollava do homem, interessando-se pela sua saude e familia e contando-lhe reminiscencias da lavoura. O sr. Garcia era delicado, e conversava. Se o hospede queria agua, o sr. Almeida berrava para os fundos: "Agua para o sr. Garcia!" A casa toda agitava-se, havia correrias, balburdia, rumor de luctas, trinclidos de copos, gritos como echo: "Agua para o sr. Garcia!" E era um bater de portas, um alagar de torneiras, até que emfim, quando o sr. Almeida berrava pela decima vez a reclamar a agua, apparecia uma das nove musas, com um copo orvalhado numa salva, córada e pudica, e a fazer com os labios uns trejeitinhos graciosos, que eram para bulir tentadoramente com um coração menos amante do ermo, como o do nevropathico pensionista.

O sr. Garcia alli viveu, adorado,