Página:Viagem ao norte do Brasil (1874).pdf/401

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
337

depois do que manifestaram ardente desejo de nos acompanharem até Maranhão, como de facto aconteceo.

Vieram comnosco trazendo muito algodão, e outros generos, que possuiam.

De Fernando de la Roque ganhamos a Costa do Brasil, caminhando até o cabo da tartaruga, terra firme no paiz dos canibaes, onde, diz Euzebio, na sua Historia, passara o Apostolo Sam Matheus á vista d’esta Costa do Brasil: imaginae a nossa alegria vendo terras tão desejadas após cinco mezes de navegação.

Depois de 15 dias de demora no cabo das tartarugas, continuamos a navegar, e chegamos á ilha do Maranhão, onde fundeamos no dia da gloriosa Santa Anna, Mãe da Sagrada Virgem Maria, com que muito me alegrei, (disse o padre Claudio) por termos tido n’esse dia, que eu tanto amo, a felicidade de chegarmos ao lugar tão desejado.

No domingo seguinte saltamos todos em terra, levando agoa benta, cantando o Te-Deum laudamus, o Veni Creator, a ladainha de Nossa Senhora, e depois caminhamos em procissão desde o porto atê ao lugar escolhido para levantar se uma Cruz, a qual foi carregada pelo Sr. de Rasilly e todos os Principaes da nossa Companhia.

Depois de benzida esta ilha, até então Ilhasinha, foi pelos Srs. de Rasilly e la Ravardière chamada Ilha de Santa Anna, não só por termos ahi chegado n’esse dia, como tambem porque chamava-se Anna a Condessa de Soissons, parenta do Sr. de Rasilly.[NCH 114]

Depois plantamos a Cruz: ao pé d’ella, estando todo o largo abençoado, enterramos um pobre homem, tanoeiro, que vinha comnosco.

Fêz-se tudo isto com geral contentamento e demoramo-nos ahi oito dias.

Deixamos esta pequena ilha e fomos procurar a ilha grande do Maranhão, habitada por selvagens (que são as pedras preciosas que cobiçamos) e graças a Deos chegamos bons e bem dispostos.