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apenas sahio da igreja foi acommettido por uma febre, de que falleceo poucos dias depois.

Digo isto com certesa, porque o assisti até o fim, achando-se fóra em serviço de Deos os outros dois padres.

Á vista d’isto Maranhão e Paris pleiteam entre si.

Diz Paris — «és má terra, porque mataste um padre capuchinho que te mandei.»

Responde Maranhão «por um perdi quatro dos meos.»

«Tendes rasão para censurar-me?» Assim o deveria ser, si os meus fossem tratados como principes, e o pobre capuchinho apenas tivesse farinha, ou pouco mais.

«Concordemos pois, que o clima é sam e salubre, e que desperta muito o apetite, e si houvessem muitas gulodices como em França, para ahi iriam as pressas muitas moças francezas.»

3.ª Dizem vae tudo muito bem, porem não ha vinho, e nem trigo, principaes alimentos, indispensaveis nos melhores banquetes para as carnes mais delicadas.

Respondo, que ha milho em grande abundancia, de que se pode fazer pão, como nós o faziamos, e o achavamos muito agradavel ao gosto, embora gostassemos mais da farinha do paiz, especialmente quando fresca, porque não é pesada ao estomago.

Este pão de milho serve d’alimento em muitas terras do velho mundo,[NCH 84] e especialmente na Turquia, onde é chamado trigo da Turquia.

Não se perdeo ainda a esperança, que a terra firme do Brasil, forte e gorda, não possa produzir trigo, com que se fabrique o pão como na França.

Os habitantes de Pernambuco ja o fizeram; não estão longe de nós, porem em terras peiores.

Quanto a terra firme do Maranhão, melhor seria si o rei de Hespanha não prohibisse nas Indias Orientaes e Occidentaes plantação de trigo e de vinhas para tel-as sempre dependentes de seo soccorro, e de tudo quanto cresce nos seos Reinos de Hespanha e Portugal.