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ultimos cantos.
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Fizerão-me o que vês: não canto, soffro!
Lyra quebrada, coração sem forças
De poetico manto as you cobrindo,
Por disfarçar desta arte o mal que passo.

Mas se inda tens prazer á luz da aurora,
Se te ameiga fitar longos instantes,
Sentada á beira mar, na paz de um ermo,
Uma flor, uma estrella, os céos e as nuvens;

Pede canto aos ledos passarinhos,
Á brisa, ao vento, á fonte que murmura;
Mas não peças canções ao triste bardo,
A quem té para um ai já falta o alento.