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ultimos cantos.
Mas não peças á lyra abandonada
Um alegre cantar, — já murchas pendem
As grinaldas gentis de que a toucárão
Donzcis louçãos, enamoradas virgens.
Hoje mal partem roucos sons dos nervos,
Que amargo pranto destendeu sem custo;
Quem ha que se não dóe de ouvir cautados
Uns versos de prazer entre soluços?
Mas não peças um hymno ao triste bardo!
Verde ramo d’uma arvore gigante
O raio no passar queimou-lhe o viço,
Deixando-o por escarneo entre verdores.
Uma febre, um ardor nunca apagado,
Um querer sem motivo, um tedio á vida
Sem motivo tambem, — caprixos loucos,
Anhelo d’outro mundo, d’outras coisas;
Desejar coisas väs, viver de sonhos,
Correr após um bem logo esquecido,
Sentir amor e só topar frieza,
Scismar venturas e encontrar só dores;