Página:Ultimos cantos- poesias.pdf/83
Desdobra tuas azas de cores suaves,
Adeja no espaço, procura o teu Deos:
O aroma das flores, e o canto das aves
E o que ha de mais puro se perde nos céos.
IV.
SENHOR, se na afflicção que te consome,
Na dôr immensa, que teu peito acanha,
Póde erguer-se do bardo a voz sentida
E aos teus soluços misturar seu pranto;
Se a dor do pae não absorva inteiro
O peito augusto do Monarcha excelso,
Enxuga as tristes lagrimas que vertes!
Melhor, talvez, que o throno é ver chorando
Um povo inteiro em torno de um sepulchro,
Um vacuo berço de seu pranto enchendo!
Á sorte pois te curva, e á lei d’aquelle
(Involta em seus reconditos designios)
A quem aprouve nivelar, cortando
Co’o mesmo golpe as esperanças de ambos,
— A dor de um pae e as afflicções de um povo! —
Janeiro 10, de 1850.