Página:Ultimos cantos- poesias.pdf/78
Esta página ainda não foi revisada
62
ultimos cantos.
Bem como a flôr inda em botão ceifada,
Em quanto aromas recendia pura;
Bem como a onda, quando mal formada,
Nos brancos frisos do areal murmura!
Bem como a aurora tímida que morre,
Em quanto os céos de rosicler matisa;
Bem como o sopro de ligeira brisa,
Que entre os olores da manhã discorre!
Mimosa espr’ança do Brasil, batendo
Ás ferreas portas da existencia, viste
O mundo afflicto e a humanidade triste
Seu negro fado e sua dôr soffrendo!
Cheio de compaixão atraz voltaste
Do horrifico espectaculo, tapando
Com as azas do anjo o rosto brando,
E no seio do Eterno te asylaste.
Morreste como aurora sem poente,
Como flor, que perfume inda exhalava,
Como o sopro da brisa recendente,
Como a onda, que apenas se formava!