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«Que a teus passos a relva se torre,
Murchem prados, a flor desfalleça,
E o regato que limpido corre,
Mais te accenda o vesano furor;
Suas agoas depressa se tornem,
Ao contacto dos labios sedentos,
Lago impuro de vermes nojentos,
Donde fujas com asco é terror!
«Sempre o céo, como um tecto incendido,
Creste e punja teus membros maldictos
E o oceano de pó denegrido
Seja a terra ao ignavo tupi!
Miseravel, faminto, sedento,
Manitos, lhe não fallem nos sonhos,
E do horror os espectros medonhos
Traga sempre o cobarde após si.
«Um amigo não tenhas piedoso
Que o teu corpo na terra embalsame,
Pondo em vaso d’argilla cuidoso
Arco e frecha e tacápe a teus pés!
Sê maldicto, e sosinho na terra;
Pois que a tanta vilesa chegaste,
Que em presença da morte choraste,
Tu, cobarde, meu filho não és.»