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ultimos cantos.
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O forte peso em turbilhão mudado,
Das ruinas completa o grande estrago.
Parecendo mudar a terra em lago.

Inda ronca o trovão retumbante,
Inda o raio fuzila no espaço,
E o corisco n’um rapido instante
Brilha, fulge, rutila, e fugio.
Mas se á terra desceu, mirra o tronco.
Cega o triste que iroso ameaça,
E o penedo, que as nuvens devassa,
Como tronco sem viço partio.

Deixando a palhoça singela,
Humilde labor da pobreza,
Da nossa vaidosa grandeza,
Nivela os fastigios sem dó;
E os templos e as grimpas soberbas,
Palacio ou mesquita preclara,
Que a foice do tempo poupára,
Em breves momentos é pó.

Cresce a chuva, os rios crescem,
Pobres regatos s’empolão,
E nas turvas ondas rolão

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