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ultimos cantos.
Um ponto apparece,
Que o dia entristece,
O céo, onde cresce,
De negro a tingir;
Oh! vêde a procella
Infrene, mas bella,
No ar s’encapella
Já prompta a rugir!
Não sólta a voz canora
No bosque o vate alado,
Que um canto d’inspirado
Tem sempre a cada aurora;
É mudo quanto habita
Da terra n’amplidão.
A coma então lusente
Se agita do arvoredo,
E o vate um canto a medo
Desfere lentamente,
Sentindo oppresso o peito
De tanta inspiração.
Fogem do vento que ruge
As nuvens auri-nevadas,
Como ovelhas assustadas