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ultimos cantos.
Não converter-se em pedras de saraiva,
Em chuva de graniso fulminante,
Que em chão de morte as petalas viçosas
Desfolhasse entre-abertas.
Feliz o doce poeta,
Cuja lyra sonorosa
Resoa como a queixosa
Trepida fonte a correr;
Que só tem palavras meigas,
Brandos ais, brandos accentos,
Cuja dôr, cujos tormentos
Sabe-os no peito esconder!
Feliz o doce poeta
Que não andou em procura
De terrena formosura,
Nem as graças lhe notou!
Que lhe não deu sua lyra,
Que lhe não deu seus cantares,
Que lhe não deu seus pesares,
Nem junto della quedou!