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ultimos cantos.
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Sim, eu devera confranger meus labios,
Mordel-os té que o sangue espadanasse,
Afogar na garganta a ultriz sentença,
Apagal-a em meu sangue.
Sim, eu devera comprimir meu peito
Conter meu coração, que não pulsasse,
Apagado volcão, que inda fumega,
Que faz, que jorra cinzas?
Que m’importava a mim teu fingimento,
Se uma hora fui feliz quando te amava,
Se ideei breve sonho de venturas
Dormido em teu regaço;
Luz mimosa de amor que le apagaste,
Ou gota pura de crystal luzente
Filtrando os poros de uma rocha a custo,
Cahida em negro abysmo!
Devera pois meu pranto borrifar-te
Amigo e bemfasejo, como aljofar
De branco orvalho em perolas tornado
N’um calice de flor: