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ultimos cantos.

Brilha a lua scintillante,
E sempre mudo o gigante,
Immovel, sem acordar!

Depois outro sol desponta,
E outra noite tambem,
Outra lua que aos céos monta,
Outro sol que após lhe vem:
Após um dia outro dia,
Noite após noite sombria,
Após a luz o bulcão,
E sempre o duro gigante,
Immovel, mudo, constante
Na calma e na cerração!

Corre o tempo fugidio,
Vem das aguas a estação,
Após ella o quente estio
E ainda após o verão:
Crescem folhas, vingão flores,
Entre galas e verdores
Sazonão-se fructos mil;
Cobrem-se os prados de relva
Murmura o vento na selva
Azulão-se os céos de anil!