Página:Ultimos cantos- poesias.pdf/18
Co’os braços no peito crusados nervosos,
Mais alto que as nuvens, os céos a encarar,
Seu corpo se estende por montes fragosos,
Seus pés sobranceiros se arrojão do mar!
De lavas ardentes seus membros fundidos
Avultão immensos: só Deos poderá
Rebelde lançal-o dos montes erguidos,
Curvados ao peso que sobre lhes ’stá.
E o céo, e as estrellas, e os astros fulgentes
São velas, são tochas, são vivos brandões,
E o branco sudario são nevoas algentes,
E o crepe que o cobre são negros bulcões.
Da noite que surge no manto fagueiro
Quiz Deos que se erguesse, de junto a seus pés,
A cruz sempre viva do sul no cruzeiro,
Deitada nos braços do eterno Moysés.
Perfumão-no odores que as flores exhalão,
Bafejão-no carmes de um bymno de amor
Dos homens, dos brutos, das nuvens que estalão,
Dos ventos que rugem, do mar em furor,