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ultimos cantos.
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Amanhã! — é o vento que ruge,
A procella d’horrendo fragor,
É a vida no peito mirrada,
Mal soltando um alento de dôr.
Amanhã! — é a folha pendida,
É a fonte sem meigo frescor,
São as aves sem canto, são bosques
Já sem folhas, e o sol sem calor.
Amanhã! — são acasos da sorte!
É a vida no seu amargor,
Amanhã! — o triumpho, ou a morte;
Amanhã! — o prazer, ou a dôr!
Amanhã! — que t’importa se existes?
Folga e ri de prazer e de amor;
Hoje o día nos cabe e nos toca,
De amanhã Deos sómente é Senhor!