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ultimos cantos.
Os motivos mais justos,
Nem como se deslustra o melhor feito,
A mais alta façanha!
Não! o que mais dóe não é sentir-se
As mãos d’um ente amado
Nos espasmos da morte resfriadas,
E os olhos que se turvão,
E os membros que entorpecem pouco e pouco,
E um rosto que descora!
Não! não é ouvir d’aquelles labios,
Doces, tristes, compassivas,
Sobre o funereo leito soluçadas
As palavras amigas,
Que tanto custa ouvir, que lembrão tanto,
Que não s’esquecem nunca!
Não! não são as queixas amargadas
No triumphar da morte,
Que, se se apaga a luz da vida escaça,
Mais viva a luz rutila;
Luz da fé que não morre, luz que espanca
As trevas do sepulchro.