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ULTIMOS CANTOS.
E na immensa extensão d'agua salgada
Via a esteira de luz do sol lusido!
« Breve as horas passei de ser ditoso
Aqui neste lugar, ledo escutando
Tão amável tua mãi, tão carinhosa,
Q'instantes curtos me teceu faltando!
« Hoje existo somente porque existes,
Desfructo outro viver que não vivia,
Quando escutão tua voz os meus ouvidos,
Como sons de celeste melodia.
« Oh falia, falia sempre.—É doce ao velho
Sons d'argentina voz, que as fibras todas
Do frio coração remoça e abata,
Como d'uma harpa antiga
As deslembradas cordas,
Que a mão experta e amiga
Do trovador, num canto alegre estala.
« E doce ao solitário a voz de um anjo
Na sua solidão;
E ao velho pai a voz da casta filha,
Que falla ao coração.