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« Também meus olhos se expraiarão longe,
Pela vasta extensão destas campinas;
Também segui a tortuosa veia
Desta linda corrente que se perde
Além, por entre penhas;
E a esmeraldina cor, de que se arreia
A relva destes prados, destas brenhas,
Meus olhos juvenis encheu de gozo,
Que agora os olhos teus também recreia!
« E que prazer tão grande! o sol nascia
N'um mar de luz brilhante!
Levantava-se mais, brilhava, ardia,
No prado verdejante,
Na fonte e na devesa ;
E o muncla e a natureza
De puro amor enchia!
Destoucavão-se os montes de neblina,
Que meiga e adelgaçada
Pendia como um véo de gaza fina
Da celeste morada,
Quando num mar formoso o sol nascia!
« O mundo era então luz — hoje é só trevas!
O céo de puro azul via tingido,
Via a terra de cores adornada,