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ultimos cantos.
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Tudo é silencio harmonico
E doce amenidade,
E uma expansão suave
Do mais fino sentir;
Existo e no passado
Só tenho uma saudade,
Desejos no presente,
Receios no porvir!

Como licor que mana
De cava, humida rocha,
Que o sol nunca evapora,
Nem limpa amiga mão;
A dor que n’alma sinto
Minha alma desabrocha;
Que livre o pranto corre
Da noite na soidão!

Attendo! ao longe escuto
D’uma harpa os sons queixosos,
Attendo! e logo sinto
Minha alma se alegrar!
Attendo! são suspiros
De seres vaporosos,
Que mil imagens vagas
Me fazem recordar!

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