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ultimos cantos.
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Ante a primeira se curvão
Os polentados da terra:
No bojo, que a morte encerra,
Sobre a liquida extensão,
Levão náos os seus dictames
Da peleja entre os horrores;
Vis escravos, crús senhores,
Preito e menagem lhe dão.

E quando o vate suspira
Sobre esta terra maldicla,
Ninguem a voz lhe acredita,
Mas riem dos cantos seus:
Os anjos, não; porque sabem
Que essa voz é verdadeira,
Que é dos homens a primeira,
Em quanto a outra é de Deos!

Se cu fora rei, não te dera
Quinhão na regia amargura;
Nem te qu’ria, virgem pura,
Sentada sob o docel,
Onde a dôr tão viva anceia,
Tão cruel, tão funda late,
Como no peito que batc
Sob as dobras do burel.