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ultimos cantos.
Mesmo lendo estes versos, que m’inspiras,
Não pensa em mim, dirás:
Imagina-o, si o podes, que os meus labios.
Não t’o dirão jámais!
Sim, eu te amo; porém nunca
Saberás do meu amor;
A minha canção singela
Traiçoeira não revela
O premio sancto que anhela
O soffrer do trovador!
Sim, eu te amo; porém nunca
Dos labios meus saberás,
Que é fundo como a desgraça,
Que o pranto não adelgaça,
Leve, qual sombra que passa,
Ou como um sonho fugaz!
Aos meus labios, aos meus olhos
Do silencio imponho a lei;
Mas lá onde a dôr se esquece,
Onde a luz nunca fallece,
Onde o prazer sempre cresce,
Lá saberás se te amei!