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ultimos cantos.
Como se ama o crepusculo da aurora,
A mansa viração que o bosque ondeia,
O susurro da fonte que serpeia,
Uma imagem risonha e seductora;
Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céos,
O silencio, as cores, o perfume, a vida,
Aos paes e á patria e á virtude e á Deos.
Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-t’o os labios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cançada:
O que é bello, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto soffro,
Por quanto já soffri, por quanto ainda
Me resta de soffrer, por tudo eu te amo.
que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!