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ultimos cantos.
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A menina travessa e ruidosa,
Borboleta que alegre doudeja?
A menina é uma flor de poesia,
Um composto de rosa e jasmim,
Um sorriso que Deos alumia,
Um amor de gentil serafim!
Folga e ri no começo da existencia,
Borboleta gentil! a flor dos valles,
Da noite á viração abrindo o calix,
O puro orvalho da manhã te guarda;
Inda perfumes dá, que te embriagão,
Inda o sol quando aquece os vivos raios,
Nas azas multicores scintillando,
Com terno amor de pae, em torno esparge
Pó subtil de rubins e de safiras.
Folga e ri no começo da existencia,
Humano serafim, que esse perfume
São das azas do anjo, que s’impregnão
Dos aromas do céo, quando atear-se,
Roaz fogo de vida começando,
Quanto havemos de Deos consome e apaga.