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Essas lagrimas são! — tão abundantes,
Tão sem causa e sympathicas gotejão
N’uma tez de carmim, n’um rosto bello!
Quem as vè, que sorrindo as não enchuga?
Mas não todo consumas o thesouro
Unico e triste, que ao infeliz sobeja
Nas horas do soffrer; no tempo amargo,
No qual o rosto pallido se enruga,
E os olhos seccos, aridos chammejão,
Será talvez bem grato refrigerio
Uma lagrima só, em que arrancada
A força da afflicção dos seios d’alma.
Mas tu, feliz, sorri, em quanto a vida,
Como um río entre flores, se deslisa
Macio, puro, recendendo aromas.
III.
Bello raio do sol da existencia,
Flor da vida, mimosa e gentil,
Fonte pura de meiga innocencia,
Leve gozo da quadra infantil!
Quem fruir-te outra vez não deseja,
Quando vê sobre a veiga formosa