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De Historia do Brasil, era farta a messe: os chronistas, Gabriel Soares, Gandavo; e Rocha Pitta, Frei Vicente Salvador, Armitage, Ayres Casal, Pereira da Silva, Handelmann (Geschitchte von Brasilien), Mello Moraes, Capistrano de Abreu, Southey, Warnhagen, além de outros mais raros ou menos famosos. Então no tocante a viagens e explorações, que riqueza! Lá estavam Hans Stade, o Jean de Lery, o Saint-Hilaire, o Martius, o principe de Neuwied, o John Mawe, o von Eschwege, o Agassis, Couto Magalhães e se se encontravam tambem Darwin, Freycinet, Cook, Boungainville e até o famoso Pigafetta, chronista da viagem de Magalhães, é porque todos estes ultimos viajantes tocavam no Brasil, resumida ou amplamente.

Além destes, havia livros subsidiarios: diccionarios, manuaes, encyclopedias, compendios, em varios idiomas.

Vê-se assim que a sua predilecção pela poetica de Porto Alegre e Magalhães não lhe vinha de uma irremediavel ignorancia das linguas literarias da Europa; ao contrario, o major conhecia bem soffrivelmente francez, inglez e allemão; e se não falava taes idiomas, lia-os e traduzia-os correntemente. A razão tinha que ser encontrada numa disposição particular de seu espirito, no forte sentimento que guiava sua vida. Polycarpo era patriota. Desde moço, áhi pelos vinte annos, o amor da patria tomou-o todo inteiro. Não fôra o amor commum, palrador e vasio; fôra um sentimento sério, grave e absorvente. Nada de ambições politicas ou administrativas; o que Quaresma pensou, ou melhor: o que o patriotismo o fez pensar, foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações sobre os seus recursos, para depois então apontar os remedios, as medidas progressivas, com pleno conhecimento de causa.

Não se sabia bem onde nascera, mas não fôra de certo em S. Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no Pará. Errava quem quizesse encontrar, nelle qualquer regionalismo; Quaresma era antes de tudo brasileiro. Não