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guma pessoa que tomão por seu compadre, e na amizade ficão como os compadres entre os Christãos; o pai lhe corta a vide com os dentes, ou com duas pedras, dando com uma na outra, e logo se põe a jejuar até que lhe cae o umbigo, que é de ordinario até os oito dias, e até que não lhe caia não deixam o jejum, e em lhe caindo, se é macho lhe faz um arco com frechas, e lho ata no punho da rede, e no outro punho muitos molhos d’ervas, que são os contrarios que seu filho ha de matar e comer, e acabadas estas ceremonias fazem vinhos com que se alegrão todos. As mulheres quando parem logo se vão lavar aos rios, e dão de mamar á creança de ordinario anno e meio, sem lhe darem de comer outra cousa; amão os filhos extraordinariamente, e trazem-nos metidos nuns pedaços de redes que chamão typoya[1] e os levão ás roças e a todo o genero de serviço, ás costas, por frios e calmas, e trazem-nos como ciganas escanchados no quadril, e não lhes dão nenhum genero de castigo[2]. Para lhes não chamarem os filhos[3] têm muitos agouros, porque lhe põem algodão sobre a cabeça, penna de passaros e paus, deitão-nos sobre as palmas das mãos, e roção-nos por ellas para que cresção.
Estimão mais fazerem bem aos filhos que a si