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— Terepomonga. Parece tratar-se aqui da sangue-suga, verme da familia dos Hirudinideos. — O adjectivo tupi pomong quer dizer pegajoso, viscoso, que péga ou gruda.
XVI. — Este capitulo occupa-se exclusivamente dos homens marinhos, ou monstros do mar. A lenda pertence ao mesmo cyclo de idéas que produziu os tritões, as sereias, as mães d’agua e outros seres phantasticos. Os autores antigos, que trataram do Brasil, Gandavo, Gabriel Soares, frei Vicente do Salvador, padre João Daniel e Barlaeus, referem-se ao homem marinho, que descrevem similhantemente; delles, manifestam-lhe o nome indigena: Gandavo — Historia da Provincia Santa Cruz (Lisboa, 1576) fls. 32 — “os Indios da terra the chamam em sua lingua Hipupiára, que quer dizer demonio d’agua”; Gabriel Soures — Tratado descriptivo da Brasil (Rio de Janeiro, 1851) ps. 280 “não ha duvida senão que se encontram na Bahia e nos reconcavos della muitos homens marinhos, a que os indios chamam pela sua lingua ypupiara”; Barlaeus — Rerum per octennium in Brasilia (Amsterdam, 1647) ps. 134 — “sunt Tritonis indigenis ypupiapræ dicti, cum humanos vnitus aliqua referant, et femelle casariem ostentent fluidam et faciem elegantiorem.” — O nome tupi serve de prova de que a idéa era familiar ás gentes desse grupo importante. Sua etymologia consigna Baptista Caetano em upypeara ou y-pypiára, em que apparecem os elementos y agua, e pypiára de dentro, do intimo: o que è de dentro d’agua, o que vive no fundo d’agua, o aquatico; o nome era tambem attribuido a peixes, especialmente á baleia.
Para o editor da traducção franceza do livro de Gandavo na collecção de Henri Ternaux, o monstro provocador das assaltadas, que narram os autores citados, seria provavelmente alguna phoca de tamanho extraordinario; para Varuhagen, o commentador de Gabriel Soa-