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VIII — Neste capitulo trata apenas o autor da arvore que tem agua.
O phenomeno referido deve ser levado á conta de informações exageradas que tenham sido prestadas a Cardim. Nos sertões do Nordéste brasileiro vegeta, de facto, uma leguminosa, a Geoffroya spinosa, Linn., vulgarmente conhecida por umary, que dos olhos verte liquido em tal quantidade que, ás vezes, no inverno, chega a molhar o solo, o que para o sertanejo é bom signal de estação chuvosa; mas dahi á arvore fonte, ou arvore rio, que se descreve, vai mais prodigio do que verdade. — O vocabulo umary é tupi, contracção de y-mbo-ri-y, que exprime — arvore que faz que verta agua, segundo Th. Sampaio.
IX — Neste capitulo enumera o autor algumas essencias que dão madeira. São as seguintes:
— Páu-santo, da familia das Leguminosas, sub-familia das Cæsalpinaceas (Zoolernia paraensis, Hub.)
— Páu-brasil, das mesmas familia e sub-familia (Caesalpinea echinata, Lamk.) — Ibirapitanga é seu nome tupi, por ybyrá arvore, pau, madeira, pitanga vermelha.
— Jacarandá, nome commum a diversas especies da familia das Leguminosas, sub-familia das Papilionaceas.
— Páu d’aquila, da familia das Aquilarinaceas (Aquilaria agallocha, Roxb. — O páu de aquila, ou páu de aguila é originario da Indo-China:
“Vês, corre a costa que Champá se chama
Cuja mata é do páu cheiroso ornada...”
Camões, Luziadas, canto X, estr. 129).