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— Jararagoaipigtanga, que Cardim traduz: que tem a ponta do rabo mais branco que pardo, é a mesma Lachesis lanceolatus, vulgarmente conhecida tambem por jararaca de rabo branco, emquanto é nova. Ha erro de copia em pigtanga, porque em Purchas his Pilgrimes, vol. IV, ps. 1304, vem Jaracoaypitinga. O nome tupi explica-se assim por Jararaca, a cobra, uguái cauda, rabo, e pitinga branco. Jararaca-pitinga occorre em Piso.
— Jararacopéba, pela descripção póde ser a Lachesis atrox, Linn. — O suffixo péba significa chato, achatado. — Em Piso jararaca-péba; mas o nome não apparece mais na synonymia vulgar.
— Sururucú, da mesma familia (Lachesis mutus, Linn.) O nome indigena não tem explicação acceitavel.
— Boicininga, cascavel, da mesma familia (Crotalus terrificus, Laur.) — De bói cobra, cininga tintinante, resoante, chocalhante.
— Boiciningbéba, especie que não soubemos identificar; béba ou péba quer dizer chato ou achatado, como já ficou dito.
— Igbigracuá, especie tambem de difficil identificação, porque o nome desappareceu. G. Soares dá ubiracoá, que a Varnhagen parece a Natrix punctalissima, Spix. — Martius, nos Glossaria, define: “serpens venenosus rufus, arbores scandens” — O nome é tupi.
— Igbigbogoca, ibibobóca, ou cobra-coral, da familia dos Colubrideos (Elaps marcgravi, Wied). - Em G. Scares ububoca. Para Martius, nos Glossaria: “serpens in terra habitans” . — Baptista Caetano deduz o nome de mbói-iby-pe babac, cobra enroscada no chão. A designação tupi caiu em desuso, substituida por cobracoral, ou bacorá, como estropiam os caipiras do Sul.