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Tratados da Terra e Gente do Brasil
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três postas sem accordarem, come aconteceu que depois de cortarem duas postas a huma destas, ao dia seguinte a acharão morta com dous porcos montezes na barriga, e seria de cincoenta palmos.

Manĩma.nota — Esta cobra anda sempre n’agua, he ainda maior que a sobredita, e muito pintada, e de suas pinturas tomarão os gentios deste Brasil pintarem-se; têm-se por bemaventurado o Indio a que ella se amostra, dizendo que hão de viver muito tempo, pois a Manĩma se lhes mostrou...[1]

DOS LAGARTOS D’AGUA (XXIII)

Jacaré.nota — Estes lagartos são de notável grandura, e alguns ha tão grandes como cães; têm o focinho como de cão muito comprido, e assi têm os dentes. Têm por todo o corpo humas lâminas como cavallo armado, e quando se armão não ha frecha que os passe; são muito pintados de varias cores; não fazem mal á gente, mas antes os tomão com laços facilmente, e alguns se tomarão de doze, quinze palmos, e os estimão muito, e os tem por estado os Indios como rembabas, sc. cães, ou outra cousa de estado; andão n’agua, e na terra põem


  1. Ao ms. falta o seguimento, que vem em Purchas his Pilgrimes, vol. IV, ps. 1.318: “Many others kinds of snakes there be in the rivers of fresh water, which I cave for brevities sake, and because there is nothing in particular that can be said of them.”