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com a proa n’estas barreiras vermelhas até entrar dentro do arrecife; e como estiver dentro vá com a proa ao sul, e ficará dentro do rio. Da outra banda dos baixos e contra o sul está outra barra, por onde entram navios do mesmo porte quem entrar por esta barra, como estiver dentro d’ella, descobrirá um riacho, que se diz de S. Francisco; e como o descobrir vá andando para dentro até chegar ao porto. De Porto Seguro á villa de Santo Amaro é uma legua, onde está um pico mui alto em que está a hermida de Nossa Senhora d’Ajuda, que faz muitos milagres. De Santo Amaro ao Rio de Tororam è uma legua, onde está um engenho, que foi de Manoel Rodrigues Magalhães, e junto a este engenho uma povoação, que se diz de S. Tiago do Alto, em o qual rio entram caravelões, D’este Rio de Tororam ao de Maniape são duas leguas, e antes de chegarem a elle estão as barreiras vermelhas, que parecem, a quem vem do mar, rochas de pedras. Do Rio de Maniape ao de Urubuguape é uma legua, onde está o engenho de Gonçalo Pires. Do Rio de Urubuguape ao Rio do Frade é uma legua, onde entram barcos, e chama-se do Frade, por se n’elle afogar um nos tempos atraz. Do Rio do Frade ao de Juhuacema são duas leguas, onde esteve uma villa que se despovcou o anno de 1564, pela grande guerra que tinha os moradores d’ella com os Aymorés'. N’este lugar esteve um engenho, onde chamam a ponta de Cururumbabo.
Não é bem que passemos mais avante sem declararmos cuja é esta capitania do Porto Seguro, e quem foi o povoador d’ella; da qual fez El-Rei D. João III de Portugal mercê a Pedro de Campos Tourinho, que foi um cavalleiro natural da villa de Vianna da foz de Lima, homem nobre, esforçado, prudente, e muito visto arte do marear; cuja doação foi de cinco enta leguas de costa, como as mais que ficam declaradas.
- ↑ Correcção: capital deve ler-se capitania