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CAPITULO CXXXII.com. 206
Em que se trata dos peixes de couro que ha na Bahia.

Panapaná é uma casta de cações, que em tudo o parecem, se não quando tem na ponta do focinho uma roda de meio compasso, de palmo e meio e de dous palmos, o qual peixe tem grandes figados como tubarões; e os grandes tomam-se com anzoes de cadêa, os pequenhos á linha e em redes de mistura com o outro peixe; comem-se os grandes seccos em tassalhos, e os pequenos frescos, e são muito gostosos e leves, frescos e seccos.

Aos cações chamam os indios socori, do que ha muitos na Be hia, que se tomam á linha e com redes; e os pequenos são mui leves e saborosos, e uns e outros não tem na feição nenhuma differença dos que andam e se tomam em Hespanha.

Ha outro peixe, a que os indios chamam curis e os Portuguézes bagres: tem o couro prateado sem escama, tomam-se à linha, tem a cabeça como enxarroco, mas muito dura; e tem o miolo d’ella duas pedrinhas brancas muito lindas; este peixe se toma em todo o anno, e é muito leve e gostoso.

Ha outra casta de bagres, que tem a mesma feição, mas tem o couro amarello, a que os indios chamam urutús, que tambem morrem em todo o anno á linha, da boca dos rios para dentro até onde chega a maré, cujas pelles se pegam muito nos dedos; e não são tão saborosos como os bagres brancos.

Chamam os indios ás moréas caramurú, das quaes ha muitas, mui grandes e mui pintadas como as de Hespanha, as quaes mordem muito, e tem muitas espinhas, e são muito gordas e saborosas; não as ha senão junto das pedras, onde as tomam ás mãos.

Arraias ha na Bahia muitas, as quaes chamam os indios jabubirá e são de muitas castas como as de Lisboa; e morrem á linha e em redes; ha umas muito grandes e outras pequenas, que são muito saborosas e sadías.

TOMO XIV
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