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d’elle, para lembrança de se me dizer o responso sobre ella e para se enterrar minha mulher tão sómente.

Declaro que os chãos, que tenho n’esta cidade, que houve de Antonio de Affonceca, de Anna de Paiva, de Pedro Fernandes e de Braz Affonso, e a terra que tenho vallada no caminho da Villa-Velha, da banda do mar e đa outra banda que foi de Antonio de Oliveira, queria que ficasse tudo a meu quinhão, por tudo ser mui necessario para o mosteiro, onde podem fazer muitas terecenas ao longo do mar para alugar, e pelo caminho acima muitos fóros de casas, e muitas casas ao longo da estrada, que tudo pelo tempo adiante, virão a render muito para o convento.

E porque hei este testamento por acabado, pelo qual dou por revogado todos os que tenho feito antes d’este, e este só quero que valha, porque esta é a minha derradeira vontade, o qual fiz por minha mão e assignado por mim — Gabriel Soares de Sousa.[1]

Como producção litteraria, a obra de Soares é seguramente o escripto mais producto do proprio exame, observação e pensar, e até diremos mais encyclopedico da litteratura portugueza n’esse período. Nos assumptos de que trata, apenas fora precedido uns dez annos pela obra[2] muito mais laconica, mas que lhe serviu

  1. A approvação d’este testamento foi feito em 21 de Agosto de 1584, e a abertura em 10 de Julho de 1592.
  2. ”Historia da provincia Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brazil; feita por Pero de Magalhães de Gandavo„: etc. anno 1576. Acha-se reimpressa no Tom. 21 da Rev. do Inst.

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