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Ao longo do mar se criam outros passaros a que os indios chamam aty; tem o corpo branco, as azas pretas, e o bico de peralto, com que cortam o peixe como com tesoura; tem as pernas curtas e brancas; andam sempre pas barras do rio buscando peixe, do que comem.

Matuim-açú são uns passaros, que andam sempre sobre os mangues, tamanhos como franganitos, de cor pardaça; tem as pernas e bico preto, e mantem-se de peixe que tomam.

Matuimirim são outros passaros de feição dos de cima, mas mais pequenos e brancacentos; mantem-se do peixe que tomam; e uns e outros criam no chão ao longo do salgado.

Pitaoão são passarinhos do tamanho e côr dos canarios, e tem uma corôa branca na cabeça; fazem grandes ninhos nos mangues, ao longo dos rios salgados, onde põem dous ovos; e mantem-se dos peixinhos que alcançam por sua lança.

Ha umas aves como garcetas, a que os indios chamam socóry, que tem as pernas compridas e amarellas, o pescoço longo, o peito pintado de branco e pardo, e todo o mais pardo; criam em terra no chão, perto da agua salgada, aonde se mantem do peixe que n’ella tomam, e de caranguejos dos mangues.

Margui é um passaro pequeno e pardo, tem as pernas mui compridas, o bico e pescoço longo; e está sempre olhando para o chão e como vê gente foge dando um grande grito. Estas aves se criam ao longo do salgado, e mantem-se do peixe que tomam no mar.

CAPITULO LXXXV.com. 159
Em que se trata de algumas aves de rapina que se criam na Bahia.

Urubús são uns passaros pretos, tamanhos como corvos, mas tem o bico mais grosso, e a cabeça como gallinha cucurutada, e as pernas pretas, mas tão sujos que fazem seu feitio pelos pernas abaixo, e tornam-n’o logo a comer. Estas aves tem grande fáro de cousas mortas, que é o que andam sempre buscando para sua mantença, as quaes criam em arvores altas: algumas ha manças em poder dos indios que tomaram nos ninhos.

Tôató é um passaro, que é na feição, na côr e no tamanho

TOMO XIV
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