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cias ethnographicas dos indios, nos induzem a inclair aqui as clausulas principaes do seu testamento, que deixou na Bahia, feito en 10 do Agosto de 1584, antes de embarcar-se para Europa, a requerer. Depois do cabeçalho, e de mais seis itens, encommendando-se á Virgem e a varios santos prosegue:
«D’onde quer que eu fallecer, me enterrarão no habito de S. Bento, havendo mosteiro de sua ordem, onde me enterrarão; e não havendo maneira d’este habito, e havendo mosteiro de S. Francisco, me enterrarão no seu habito, e os religiosos de ambas estas ordens me acompanharão, e a cada um darão de esmola cinco mil reis e pelo habito dez cruzados.
Se Deus fôr servido, que eu falleça n’esta cidade e capitania, meu corpo será enterrado em S. Bento da dita cidade, na capella-mòr, onde se me porá uma campa com um letreiro que diga AQUI JAZ UM PECCADOR o qual estará no meio de um escudo que se lavrará na dita campa; e sendo Deus servido de me levar no mar ou em Hespanha, todavía se porá na dita capella mór a dita campa com o dito letreiro em a qual sepultura se enterrará minha mulher Anna de Argollo.
«Acompanhará o meu corpo se fallecer n’esta cidade, o cabido, a quem se dará a esmola costumada, e os padres de S.Bento levarão de offerta um porco e seis almudes de vinho e cinco cruzados.
«Acompanhar-me-hão dois pobres cada um com sua tocha ou cirios nas mãos, e darão de aluguel à confraria d’onde forem, um cruzado de cada uma, e a cada (texto ilegível)