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lhe deu D. Francisco de Sousa, emprehendeu a expedição, indo primeiro ás suas terras, onde acabou de prover-se de carnes e farinhas, e logo varou até metter-se no conhecido Boqueirão, por onde forçosamente devia entrar para seguir caminho, subindo com o rio Paraguassú pela margem direita.

Seguiu sempre subindo até o arrayal, mais ou menos encostado á margem direita do mesmo rio até uma paragem, em que, com parte da gente que levava, deixou assentado um arrayal; por ventura a proprio chamado de João Amaro; pois tinha ordem de ir deixando no caminho pequenas povoações, ou arrayaes fortificados, de 50 em 50 leguas, proximamente. — No caminho, até esse arrayal, lhe adoeceram muitos homens de sezões, e perdeu muitos animaes mordidos dos morcegos; pragas estas que deviam ser mui nocivas, quando os sertanejos tiveram mais tarde que abandonar este caminho, cortando do Boqueirão ao arrayal de João Amaro, pela chamada Travessia, terreno sem pastos e quasi sem água.

D’esse primeiro arrayal, proseguiram, sempre pela margem direita do Paraguassú acima, não sem grandes trabalhos para evitar ciladas dos gentios, a abrir picadas, e juntar os animaes, que se estraviavam, e as vezes de todo se perdiam, já mordidos das cobras, já comidos pelos tigres; e finalmente pelos obstaculos offerecidos pelo proprio rio, que ladeavam; o qual, com suas subitas cheias, deixava muitas vezes os expedicionarios ilhados, e na necessidade de esperarem que as aguas baixassem.