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SUSPIROS POETICOS
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   Inda o zephiro sereno,   Cheio de aroma e doçura,   Fruindo o nectar das flores,   Na madrugada murmura.
   Inda a cascata ruidosa   Entre seixos se despenha;   Inda o som da sua quéda   Resôa ao longe na brenha.
   Inda os regatos deslizam,   As feras nos bosques rugem,   E lambendo a branca areia,   Nas praias as ondas mugem.
   Tudo vida inda respira;   A terra não stá mudada;   Vós só marchais, oh Velhice.   Triste, debil e curvada.
   Vossos olhos se fecharam   Ao quadro da Natureza;   Em torno de vós só gyram   A morte, o horror, e a tristeza.