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SUSPIROS POETICOS

     Doctrinado entre servos,Afeito ao mando, a liberdade odeia,     E o peito se endurece.     E vós cuidais ser livres!…Por vós, por vós só fallo, oh Mocidade!Ah, não me detesteis; máo-grado vossoO mal herdastes; — mas o mal tem cura.

     Ah, quando bons costumes,Pura Moral, amor nobre e celeste     Vos tomarão no berço?Ah, quando, ah, quando a san Philosophia,Sobre vós seus fulgores espargindo,Desthronará a tumida indolencia,     Que o vosso clima infesta,E as portas á Sciencia, e ás Artes fecha?O egoismo, que só para sí olha,     Tudo em sí concentrando,E os laços quebra que os humanos ligam     Em fraternal amplexo,Quando, de vós fugindo, aos vossos olhosDeixará que paixões que alma ennobrecem,     Sublimes resplendeçam?