Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/47

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
SUSPIROS POETICOS
37

   Qual da verdade o Anjo,Que tudo vê com olhos luminosos.Tua voz similhante a uma torrenteTudo abala, e comsigo arrasta tudo.

Oh Poesia, oh vida da Natura!   Oh suave perfume   D’alma humana exhalado!Oh vital harmonia do Universo!Tu não és um phantasma da belleza,Fallaz sonho de mente delirante,   E da mentira a deosa;Tu não habitas só da Grecia os montes,Nem só de Phebo a luz te inspira o canto!
De alvo manto coberta, roçagante,La no meio da noite, quando a luaSó para os mortos alvejar parece,Como a lanterna funebre do claustro,Tu, encostada á Cruz do cemiterio,   Como o Anjo da morte,Ao som de uma harpa suspirando exhalasDe quando em quando teus sagrados psalmos.