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SUSPIROS POETICOS
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Quando a noite envolver a NaturezaEm tenebroso crepe; e sobre a terraAs azas desdobrar morno silencio;Nessas placidas horas de repouso,Em que tudo descança, excepto o Oceano,Que arqueja, e espuma em solitaria praia,Vizinhos ermos com seus ais pejando,Como um preso que geme, e que debaldeDa prisão contra os muros se arremessa;Tu tambem, como a lua, vigilanteNessas propicias horas, oh minha alma,Tua voz gemebunda exhala, e uneÁ voz do Oceano, á voz d’ave nocturna.
   Enquanto estás sobre a terra,   Como no exilio o proscripto,   Canta como elle, que o canto   Refrigera o peito afflicto.
   Canta, que os Anjos se alegram,   E os Anjos á terra descem,   A escutar esses hymnos,   Que para Deos almas tecem.